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Artes Marciais ajudam a vencer a maior guerra de todas: a interior

Prática traz mais consciência, vitalidade e amorosidade para lidar com conflitos

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As Artes Marciais se tornaram um caminho para os que desejam adquirir algumas virtudes dos samurais, como equilíbrio e disciplina, no seu dia a dia. Submetidos quase que diariamente a grandes desafios, como a morte, aqueles guerreiros tiveram que desenvolver algumas habilidades para conseguir vencer seus medos, traumas e manter uma mente saudável e serena.

Passada a era desses soldados, os maiores legados deixados foram os ensinamentos e as técnicas que os fizeram desenvolver essa capacidade de lidar com um tipo de batalha que, ainda hoje, a maioria das pessoas é obrigada a enfrentar: a interna.

Dessa forma, mais do que um treinamento militar ou de autodefesa, a filosofia de vida dos samurais é o que de mais precioso as Artes Marciais vêm oferendo à sociedade.

O corpo como primeira ferramenta

Trabalho do O-DGI consiste em acordar e fortalecer o estado de presença

O corpo físico é uma expressão do que acontece no ser humano em nível emocional. Por meio de um olhar atento, por exemplo, é possível perceber uma mudança na aparência de um indivíduo quando ele fica triste. Seu corpo fica mais recolhido e desaminado. De acordo com o sensei (instrutor de arte marcial) Fernando Belatto, isso acontece porque boa parte do nosso corpo é formada por moléculas de água, elemento condutor de energia. Logo, considerando que mágoas, traumas, medos e conflitos internos são um tipo de energia, nosso corpo acaba sendo um reflexo das impressões enviadas pelo nosso subconsciente.

Em um nível mental, o ser humano é capaz de deixar essas energias em segundo plano, mas dificilmente consegue eliminá-las por meio dos pensamentos. Dessa forma, Fernando acredita que, a partir de um treinamento corporal adequado, é possível acessar emoções e sentimentos (como raiva, medo, ansiedade), purificar-se, acalmar a mente e chegar ao objetivo principal: conectar-se com o coração.

Ao contrário de alguns esportes e práticas que levam o corpo ao seu esgotamento, como o próprio futebol e o fisiculturismo, Belatto ressalta que a parte física das Artes Marciais é desenvolvida para elevar a energia vital, proteger o corpo, cuidar da saúde e fazer o participante alcançar o seu maior potencial, sem ultrapassar seus limites.

“O desenvolvimento saudável do nosso corpo faz com que seja possível ultrapassar a barreira da mente e ouvir o nosso coração, acessando uma linguagem muito desenvolvida pelos guerreiros, mas há muito esquecida: a intuição. Assim, conseguimos caminhar no mundo conectados com o que há de verdadeiro em nós e não com a nossa mente condicionada ao passado, que é a responsável por continuarmos repetindo as mesmas guerras internas que não aguentamos mais. Para que algo diferente aconteça, é preciso estar no “aqui e agora”, conectados com o coração, e é isso que a prática corporal das Artes Marciais nos ajuda a alcançar”, revela o sensei.

A filosofia das Artes Marciais como um caminho

Não é difícil, no entanto, que essa qualidade amorosa das Artes Marciais se perca, se o foco for apenas o corpo. As habilidades psicológicas dos guerreiros, como a capacidade de manter a mente equânime perante qualquer tipo de situação, são essenciais para quem almeja ser capaz de lidar com os seus conflitos internos. O próprio sensei Fernando Belatto é exemplo disso. Depois de 10 anos competindo no Jiu-jitsu, as medalhas deixaram de preenchê-lo. Apesar da presença da Arte Marcial na sua vida desde a infância, em algum momento, a essência se perdeu. Como consequência, ele chegou a largar tudo e a ser diagnosticado com síndrome do pânico.

Nesse momento, começou a ouvir o chamado do autoconhecimento e conheceu o mestre espiritual Sri Prem Baba (na foto ao lado, Fernando Belatto com Sri Prem Baba). Na vivência próxima a ele, Belatto entendeu que deveria realizar um trabalho árduo de resgate das virtudes e dos princípios dos guerreiros, o qual, na verdade, já vem sendo feito pelos difusores das Artes Marciais, desde a queda da era dos samurais. No caso de Belatto, esse mergulho na filosofia das Artes Marciais o fez recuperar seu propósito de vida. “É isso que o fonema ‘do’, que vem ao final de Karatê-Do, Judo e Aikido, significa: caminho”, explica.

Depois do seu próprio resgate interno, Fernando Belatto desenvolveu o O-DGI (O Despertar do Guerreiro Interno), uma arte marcial que auxilia no resgate da autoconfiança e mostra como enfrentar os desafios do cotidiano com mais presença. A metodologia aplicada tem como base estudos da arte da guerra e os seis valores do projeto Awaken Love, desenvolvido por Prem Baba: Honestidade, Autorresponsabilidade, Gentileza, Dedicação, Serviço e Beleza.

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As 6 qualidades de um verdadeiro guerreiro

De forma geral, Fernando Belatto sugere que para enfrentar a guerra interna e se movimentar em direção ao amor é preciso começar pelo princípio da Honestidade. “Como transformar ou eliminar algo que não é honestamente assumido? A pessoa não vai conseguir vencer a guerra interna, se ela não for honesta consigo. ‘É, realmente eu tenho uma guerra dentro de mim: tenho raiva, falta de integridade, ansiedade…’. Ela precisa aceitar e ser honesta. Isso é o que vai possibilitar à pessoa fazer algo a respeito para poder se transformar”.

Segundo Fernando, logo depois vem a Autorresponsabilidade, o fim da guerra com o outro. Por mais difícil que seja, de acordo Belatto, é preciso parar de culpar as pessoas pelos próprios problemas, entrar em contato com o seu “eu” e começar a fazer algo a respeito. Pode ser uma terapia, Yoga, mudança na alimentação ou qualquer outra coisa que torne a pessoa capaz de transformar aquilo que, para ela, é um incômodo. “Eu estou onde eu me coloco”, ele resume.

Além disso, agir como um guerreiro, segundo os princípios das Artes Marciais, significa, acima de tudo, ser amoroso e gentil, afirma Belatto. De acordo com o sensei, a exemplo do que acontece nas escolas de Artes Marciais – nas quais os alunos mais antigos devem ficar atentos para receber os mais novos da melhor maneira possível, acolhendo-os – todas as pessoas que convivem com alguém que cultiva a essência dos samurais deve se sentir respeitada.

Contudo, Fernando admite que essa não é uma tarefa fácil e revela que para os querem realmente seguir nesse caminho, a Dedicação deve ser outra qualidade a ser cultivada. “A todo momento somos testados e, para manter uma linguagem de amor e espalhá-la, é preciso dedicação. Para ser um exemplo do que você quer que aconteça no mundo é preciso treino”, filosofa o sensei.

Por fim, chega-se ao princípio do Serviço. De acordo com Belatto, esta é uma das virtudes mais elevadas de um guerreiro. Inclusive, em japonês, o termo “samurai” significa “aquele que serve”. “A palavra “serviço” é muito mal compreendida, como se a pessoa que serve fosse menor. No entanto, é uma atitude muito elevada. Você serve por amor. E quando você serve por amor, ele lhe preenche mais ainda. E a consequência disso é a virtude da Beleza. Tudo o que você faz se torna belo porque você está conectado com o seu coração, mesmo que seja algo muito simples”, explica.

3 dicas para iniciar o caminho do guerreiro, por Fernando Belatto

Um minuto de silêncio por dia

Muitas pessoas chamam isso de Meditação. Sente-se confortavelmente, com a coluna alinhada e os ombros relaxados. Feche os olhos e foque na sua respiração. Se um pensamento surgir e levar você embora, é só voltar a focar na respiração. Um único minuto por dia dessa prática já ajuda e pode transformar a vida de uma pessoa.

No momento em que você se dedica a simplesmente estar ali, sem se preocupar com qualquer outra coisa, isso faz com que lembre de si mesmo. Existe um movimento de sair da mente e começar a conexão com o coração. É simples e transformador. Mas, de tão simples, algumas pessoas desmerecem o exercício.

Quanto mais frequente esse exercício se tornar na rotina de uma pessoa, mais rapidamente esse estado de centramento vai se tornar um hábito para a sua mente, e ela vai se acostumar a voltar para ele quando necessário. Não por acaso, o mestre espiritual Sri Prem Baba sugere que essa prática seja realizada cinco vezes por dia.

Honrar cada desafio

Quando se trata da arte de lidar com a guerra interna, uma das estratégias mais inteligentes é começar a enxergar todo e qualquer desafio como um professor e não como um inimigo. A mente humana tem uma tendência a reclamar do desafio, no entanto, não é atitude de um guerreiro reclamar. Quem reclama é a vítima.

Então, para começar a agir como guerreiros, o primeiro passo é olhar para o desafio e honrá-lo. Seja qual for a situação que lhe tira do centro, lhe deixa ansioso, irritado ou decepcionado, você vai falar: “eu preciso honrar e aprender algo com isso. Esse desafio é o meu mestre e está me ensinando alguma coisa. O que eu preciso aprender com essa dificuldade?”. Essa atitude traz autorresponsabilidade para a situação. A pessoa para de apontar a arma para o outro, querendo culpá-lo, e consegue perceber o que realmente a tira do centro e em que momento e sob quais circunstâncias ela permite isso.

Desapegue do resultado

Tanto a vitória quanto a derrota deveriam ser consideradas apenas como consequências. O mais importante é o caminho. É o quanto você se dedica e o que você aprende a cada instante, antes de chegar ao resultado final. Às vezes, você deu o melhor de si, aprendeu muita coisa, mas não conquistou o que almejava. Será que isso já não é uma vitória? E quem falou que, ao “ter perdido”, você perdeu mesmo? E quem disse que quem ganhou, ganhou mesmo?

Por exemplo: o vencedor de uma competição ganha uma medalha, mas deixa o seu ego tomar conta, achando que é melhor do que o outro, criando uma separação. Nisso, ele está perdendo algo mais profundo. Às vezes, a amizade e o respeito pelo outro. Ele pode até ter ganho a medalha, mas perdeu muito também. Perdeu a possibilidade de se sentir amando, amado e de sentir o amor.

Mais importante do que o resultado é o caminhar, o que você leva da experiência. Os dois lados estão lhe ensinando, isso é o que vale. Você se manter o mesmo independe de vitória ou derrota, é um grande treinamento e de onde vem muita sabedoria.

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