Brincadeiras ao ar livre: fonte de autoconfiança
Na natureza, crianças encontram seus limites e dão vazão à vontade de viver e crescer
É comum encontrarmos pais que exigem valores e determinações de seus filhos que não são condizentes com a infância, como, por exemplo, antecipar o processo de leitura e escrita. As crianças não devem ser pressionadas a aprender, mas devem ter estimuladas à criatividade e o prazer do aprendizado. Para tanto, elas precisam de sentidos aguçados, de corpo em ação e vitalidade, portanto, necessitam de brincadeiras ao ar livre, para que a natureza esteja presente a todo momento: na alimentação, na brincadeira, no lazer, no entretenimento, na arte.
Crianças precisam se sujar de terra ou de lama, brincar com água, com amigos e também sozinhas. Todos esses momentos constroem o ser da criança. Não podemos tornar seus mundos exclusivamente macios, forrados com tapetes de borracha, elas precisam entrar em contato com diversas texturas.
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Para brincar, as crianças precisam de nosso apoio, cuidado e segurança. Portanto, é um trabalho também do adulto buscar o encontro com a natureza como um contato consigo mesmo, a fim de trabalhar também a autoconfiança, o autocuidado, a contemplação. Dessa forma, é possível construir o caminho que não projete nas crianças os nossos próprios medos.
Pequenas quedas e machucados são naturais da infância e as crianças precisam sentir que o chão é duro, áspero, aprender a se cuidar, saber ter cuidado quando cair e se proteger diante dos riscos. Aprendizados que só acontecem na experiência.
Vivemos o cotidiano sem nos dar conta do quanto é importante sentir a respiração, o contato com a natureza, do quanto o nosso corpo realmente precisa sentir a luz do Sol, respirar consciente e simplesmente nos divertir ou descansar em ambientes naturais.
Benefícios das brincadeiras ao ar livre
No caso das crianças, por estarem sempre construindo a base do desenvolvimento, esse aspecto energético é ainda mais fundamental. Na natureza elas encontram um ambiente vivo e diversificado, onde seus pequenos corpos podem se expandir, encontrar seus limites e dar vazão à vontade de viver e crescer. Quando a criança vai conhecendo o mundo por suas próprias experiências, ela desenvolve autoconhecimento e autoconfiança, “ingredientes” fundamentais para uma vida plena.
Portanto, a falta desse tipo de brincadeira livre e contemplação do mundo natural pode acarretar em sentimentos de insegurança, desestímulo e dificuldade de acreditar em si ao longo da vida. Sem falar dos problemas de saúde, como obesidade infantil, insuficiência de vitamina D, ansiedade, depressão e diversos outros transtornos que podem ser desencadeados pela falta de exposição ao Sol e de brincadeiras ao ar livre.
Brincadeiras da terra, da água, do fogo e do ar
Para lembrarmos e resgatarmos as brincadeiras na natureza e a cultura da infância, vamos nos inspirar nos quatro elementos, que trazem infinitas possibilidades.
Terra: atividades como cavar, fazer buracos, plantar, brincar com galhos, flores e folhas, misturar elementos, fazer lama, desenhar na terra, criar caminhos, plantar e cozinhar. As artes e os artesanatos, com argila e tinta, também enriquecem nosso repertório de habilidades e saberes culturais ancestrais.
Água: um simples banho de chuveiro, uma bacia ou uma mangueira podem se transformar numa grande brincadeira, assim como banhos de chuva, de mar e de rio. Crianças até dois anos podem se divertir com uma bacia com um pouco de água. É importante ter um adulto sempre perto. As maiores também gostam se tiverem barquinhos ou potinhos onde elas possam mergulhar galhos, folhas e outros elementos. Uma experiência que marca a infância é pular nas poças de lama. Com uma galocha nos pés, não há razão para se preocupar, só motivos para se divertir.
Ar: as brincadeiras do vento são todas aquelas que envolvem sons, músicas, movimento corporal expansivo, correr como se estivesse voando e, é claro, pipas, bolas e petecas.
Fogo: as brincadeiras deste elemento envolvem fogueiras, sempre acompanhadas por um adulto, e também luz e calor do sol, como brincar com as sombras, queimar uma folha seca usando uma lupa, procurar arco-íris e tudo aquilo que a luz permitir tocar os nossos olhos.
Precisamos resguardar o direito de brincar livremente e de ter contato com a natureza. Ao invés de reclamar que a criança se arranhou ou se sujou de terra, devemos exigir que as escolas ofereçam espaços verdes, brincadeiras naturais, com simplicidade, contato com a natureza e diversidade de atividades corporais.
Na natureza, as crianças aprendem a lidar com sensações não muito confortáveis como entrar terra no sapato, sujar a mão de lama, atravessar um arbusto, ser derrubado por uma onda ou tropeçar na raiz da grande árvore. Mas apesar de um certo desconforto, a criança suporta resiliente porque, na verdade, sente um grande prazer de estar brincando na natureza.
O contato com a natureza contribui para a nossa saúde integralmente, pois nos permite regular nossos instintos e até as percepções mais sutis. Pode ser a pracinha, uma calçada arborizada, praias, parques, um quintal, o campus da universidade. Qualquer lugar que ofereça essas possibilidades é um importante começo.
Trabalha na área de Educação, com ênfase em artes, permacultura e educação ambiental, em projetos sociais e escolas.
Saiba mais sobre mim- Contato: patriciamartins360@gmail.com